DIA DA GALIZA COMBATENTE 2024

Posted by assembleiasabertasindependentistas on 2024/10/10

INTRODUÇOM

Como cada 11 de outubro desde há 23 anos, o independentismo celebra o Dia da Galiza combatente. A data recorda a morte acidental dos militantes Lola Castro e José Vilar, quando participavam dum operativo do EGPGC contra os interesses do narcotráfico. Por extensom, o movimento decidiu aproveitar esta data para dar a conhecer e vindicar socialmente as inúmeras experiências de luita nacional e social que fixérom possível a existência do nosso País nos últimos séculos, e que atualizárom em cada época histórica a proposta arredista. Entre 2017 e 2021, a celebraçom do Dia da Galiza combatente estivo proibida pola Audiência Nacional espanhola, mas o tesom do independentismo na defesa dos direitos de expressom e reuniom conseguiu que a data voltasse à luz, legalmente, depois da sua clandestinidade forçosa.

A defesa da Terra, um sinal de identidade arredista

Desde a sua reorganizaçom na década de 60, após o genocídio de 1936, o movimento galego fijo causa comum com todo esse sector do nosso povo que se empenhou em defender formas de vida, de produçom e de ocupaçom do território que o industrialismo espanhol queria banir. Como é sabido, e num contexto de privaçom de direitos políticos, a ditadura fascista quijo aproveitar as imensas riquezas naturais galegas para favorecer a industrializaçom dos grandes polos produtivos do Estado, condenando vizinhanças enteiras à emigraçom e à perda da sua forma de vida. O industrialismo franquista começou com repovoaçons de monocultivo que ocupárom o monte comunal e codenárom os velhos usos do monte; continuou com umha agressiva política de barragens que deslocou populaçons inteiras em favor da produçom eléctrica intensiva, e sacrificou férteis vales e rios. Na época da chamada Transiçom, a reforma política que na realidade nom democratizou a Galiza nem lhe deu o direito a ser, lançou agressivos projetos extrativistas como as Encrovas ou Baldaio, tentou instalar a indústria nuclear em Jove, e lançou a enorme infraestrutura que dividiu desde entom demográfica, social e economicamente a Galiza atlántica e a interior: a AP-9. Naquela década dos 70, com um nacionalismo popular ainda nom seduzido pola lógica eleitoral, centos de quadros se fogueárom naquelas luitas sociais, e milhares de pessoas atingidas polos planos ditatoriais e logo “democráticos” se identificárom com o nacionalismo e a sua bandeira. Os conflitos em defesa da Terra marcárom o primeiro processo de maduraçom real do nacionalismo político de posguerra.

Umha barreira à destruçom

Enquanto o nacionalismo dominante arrombava a reivindicaçom da independência nacional e começava a mover-se nas margens da oposiçom controlada da dinámica eleitoral, o independentismo tomou como própria a bandeira da defesa da Terra. A finais dos 70 e primeiros dos 80, participou da oposiçom social à autoestrada do Atlántico contra as expropriaçons massivas, e organizou um destacamento ilegal (Loita Armada Revolucionária) que se enfrentou com sabotagens à maquinária e às ocupaçons, feito que motivou umha vaga de detençons ‘antiterroristas’ e levou vários militantes a prisom até 1983. Avançada a década, desta volta com as siglas do EGPGC, o independentismo pretendeu reforçar a movimentaçom social contra a poluente Celulosa de Ponte Vedra, um dos motores da eucalitizaçom do país, e em 1988 umha açom armada paralisou a factoria na cidade do Leres.

Nas décadas de 90 e os primeiros 2000, a imposiçom dumha sociedade de consumo baseada na híper-produçom de mercadorias baratas e na multiplicaçom dos deslocamentos de bens e pessoas danou o nosso país, como o conjunto do planeta. A inícios do século, a combinaçom de tránsito petroleiro com o clássico desprezo espanhol polos interesses galegos provocou a desfeita do Prestige. Esta deu lugar ao grande movimento de massas da Galiza contemporánea, o Nunca Mais, do que o independentismo participou.

Fôrom também os anos do começo boom turistizador, tentando converter o país numha reserva de lazer para visitantes foráneos, blocando outras alternativas económicas, e favorecendo a depredaçom de espaços naturais e a gentrificaçom de vilas e cidades; frente a este processo, acompanhado pola ánsia construtiva, reagiu também o importante movimento social Galiza nom se vende, e organizaçons clássicas do independentismo, caso da AMI ou de NÓS-UP, lançárom os primeiros discursos e práticas antituristizadoras, quando a denúncia da turistizaçom era um tema tabu que as maiorias políticas nom se atreviam a tocar. A organizaçom juvenil do arredismo chegou a boicotar campos de golfe na primeira década de século.

No campo da luita ilegal do século XXI, a resistência galega estabeleceu a defesa da Terra como umha das suas atuaçons centrais: atacou obras do AVE e de autovias que danavam paróquias e paisagens, destruiu sedes de imobiliárias ligadas à especulaçom, sabotou entidades bancárias que financiavam a desfeita. Por essa determinaçom, entre outras, o Estado puniu os e as militantes arredistas com as penas de prisom mais altas que se recordam na história da oposiçom política galega sem delitos de sangue.

Umha Galiza que segue em pé

Após umha tentativa quase exitosa do Estado espanhol de baleirar as nossas comarcas interiores, blocando as suas alternativas económicas, marginando as suas redes de transportes e despregando umha rede caciquil de economia clientelar e parasitária, as grandes corporaçons energéticas pretendem dar a estocada final a parte do território com um ambicioso plano eólico; por enquanto, a ocupaçom nom é mais grave graças à oposiçom do movimento popular, que o independentismo apoia, e a conseguinte paralisaçom nos tribunais dos planos mais selvagens.

Mas a ofensiva continua, e a combinaçom de extraçom energética, indústrias de enclave e monocultura eucalipteira nom se detém. O plano para ocupar a Ulhoa com a mega-central de Altri, que ameaça também o rio Ulha e o marisqueio das Rias Baixas, é o emblema desse projeto nunca interrompido de vampirizar todos os nossos recursos. Mas também a enorme luita popular, que envolve a Galiza inteira, demonstra que o país tem músculo para seguir protagonizando episódios de dignidade e conseguir defender o bem comum.

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